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06/02/2026     Educação  

Educação Infantil de Campina recebe formação sobre saúde mental

Na manhã desta quarta-feira (28), profissionais da Educação Infantil da rede municipal de ensino reuniram-se para uma imersão sobre bem-estar emocional e os desafios da profissão. A palestra, ministrada pela psicóloga clínica e escolar Cintia Mara Cardoso, integra as ações do Janeiro Branco e marca um esforço inédito da Secretaria da Educação para fortalecer o suporte psicológico aos servidores que atuam diretamente com as crianças no município.

O "conflito consciente" como caminho para a cura

Durante a abordagem, Cintia Mara enfatizou que a saúde mental não deve ser vista como uma resposta pronta ou uma lista de atividades como yoga ou cursos. Para a especialista, o conceito mais valioso é o do "conflito consciente". “Saber de si, de onde veio e quais são suas heranças é a nossa meta. Quando você percebe que é capaz de fazer escolhas e se responsabiliza por elas, você está vivendo a saúde mental”, afirmou a psicóloga durante o evento.

A palestrante provocou o público a refletir sobre o quanto de suas vidas foi realmente fruto de escolhas deliberadas ou apenas de circunstâncias aceitas passivamente, seja na carreira, no casamento ou na maternidade.

A psicóloga destacou que, como o educador passa a maior parte do dia no trabalho, é comum projetar problemas pessoais (como lutos, dívidas ou crises familiares) no ambiente escolar. "A iniciativa de falar sobre saúde mental é orientar a organizar esse sofrimento em palavras para não criar focos de conflito distorcidos no trabalho".

Apoio direto às servidoras

Uma das grandes novidades apresentadas é o setor de apoio psicológico direto. As servidoras que identificam sofrimento mental durante as palestras ou no cotidiano escolar podem ser encaminhadas para tratamento psicoterápico individual com a própria Cintia, em um projeto de fortalecimento da equipe técnica da Secretaria Municipal da Educação.

Fatores genéticos e fatalidades

Ao encerrar, a psicóloga trouxe dados recentes da medicina que conectam a saúde mental à genética. "Muitas vezes nos envergonhamos de transtornos emocionais, mas somos apenas mais um membro da família que manifestou uma predisposição genética". Ela também lembrou da "transversalidade das fatalidades", alertando que, embora possamos buscar o equilíbrio, a vida impõe eventos inesperados, como o luto, que exigem resiliência e acolhimento.

Questionada sobre qual mensagem deixaria para o início do ano letivo, Cintia foi direta: "Ancore no agora. Tente saber por que você está nessa profissão e se há satisfação nela. E lembre-se: tudo bem sofrer, desde que você dê um endereço para esse sentimento e busque se movimentar rumo ao seu bem-estar".

A diretora pedagógica Simone Mazzepa destacou que cuidar da saúde mental é fundamental, pois precisamos estar bem para cuidar de nossas crianças, permitindo que esse bem-estar se reflita no dia a dia, nas relações e no processo de ensino-aprendizagem.”

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