Guarda Civil Municipal recebe quase todo dia pelo menos uma denúncia de uso ou comercialização de linhas de pipa com cerol

O tempo livre durante a pandemia do coronavírus tem possibilitado que crianças, adolescentes, jovens e até mesmo adultos pratiquem com maior frequência uma brincadeira muito antiga: empinar pipas. Não há problema algum nisso, desde que alguns limites sejam respeitados. Um deles é não usar o famoso cerol ou a linha chilena. E infelizmente, é comum a utilização de objetos cortantes nas linhas, em disputas entre os “empinadores”. Porém, apesar de campanhas recorrentes na mídia, a conscientização, ao contrário das pipas, não é algo que está no ar.

 

Segundo o inspetor da Guarda Civil Municipal (GCM) e comandante da corporação, Claudio Crozetta, praticamente todos os dias denúncias que chegam à instituição relatam situações envolvendo o uso ou a comercialização da “linha mortal”. “Nossas equipes se deslocam até os locais e constatam a prática que oferece, em sua maioria, riscos para ciclistas, motociclistas e até mesmo pedestres”, informa o comandante.

 

De acordo com Crozetta, os flagrantes são mais comuns em dias de feriados e em finais de semana. “É quando as pessoas estão mais à vontade ”, atesta o comandante. Ele relata ainda que há outro problema observado nesses casos: as aglomerações. “Estamos em meio a uma pandemia. Quem solta pipa geralmente está acompanhado de um grupo de pessoas que na maioria das vezes não segue os protocolos de higiene adequados ao momento que estamos enfrentando”, revela o oficial da GCM. 

 

Claudio Crozetta lembra que soltar pipa utilizando cerol ou linha chilena é uma infração administrativa. Em caso de flagrante, o material é apreendido e o responsável por comprar ou confeccionar o artefato, pode responder civil e criminalmente. A pena para quem comercializa este tipo de produto é ainda mais severa.

 

LEGISLAÇÃO – Em Campina Grande do Sul, a lei municipal 382/2015 prevê, além da apreensão dos carretéis à base de linhas cortantes, o fechamento do estabelecimento que comercializar o cerol e multa. Há ainda a lei estadual 16246/2009 que também proíbe a fabricação, comercialização e utilização do produto.

 

CAMPANHA NACIONAL – Desde 2004, uma entidade sem fins lucrativos com sede em São Paulo, capital, promove a campanha “Cerol Não”. Cerol é uma mistura de cola de madeira com vidro moído. Esta composição faz com que a linha se torne uma verdadeira navalha causadora de muitos acidentes fatais. Como se não bastasse, há ainda o pó de ferro, formando a “linha chilena”. Esta, além de ser fatal para terceiros, pode conduzir eletricidade quando toca nos fios de alta tensão provocando choques elétricos, causando até a morte em quem solta as pipas.

 

DENÚNCIAS – A Guarda Civil Municipal atende pelos telefones 153 ou 3679-5740, números que servem como canais de denúncias. O atendimento também pode ser acesso via aplicativo 153 Cidadão. 

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